O tempo passa tão depressa que quase não vejo. O lápis corre pelo papel, e as batidas leves da música acalmam meu ser. A inquietação enfim distancia-se, e consigo ter um pouco de paz. São tantas angústias e pensamentos soltos, que vêm não sei de onde ou por quê. O barulho dos carros na rua desviam minha atenção por alguns segundos. Tento um sorrisinho de canto, achando-me uma boba. Às vezes bate um vazio que nem eu consigo entender. Olho para trás, e tudo me parece tão vago, sem vida. Penso que tenho vivido em um mundo paralelo. Vejo todos, mas eles não me veem. Passo despercebida por cada esquina, com vontade de sumir. Será que esse desejo é deveras grande, que já se concretizou? E eu só a reclamar daquilo que tanto ansiei. É verdade, pareço invisível aos olhos dos distraídos. E os que notam, fingem não ver-me, ou fitam-me com desdém. Talvez eu esteja sumindo em meu próprio mundo. Meus sonhos vão embora, como pequenas luzes que se apagam a cada dia. Vou desistindo de tentar, e meu objetivo fica cada vez mais distante. Por que tantas pedras no caminho? No chão sob os meus pés, um enorme buraco negro me engole. E esse buraco sou eu. Afinal, eu sou a única responsável pelos meus atos. É como se eu fosse várias personagens; uma tenta esconder a outra por trás de si. Enquanto uma acredita em si e quer ver a luz, a outra possui os olhos vendados e está sempre a maldizer-se e automutilar-se. Qual delas escolher? Qual face devo mostrar? Vou seguindo em frente, numa completa indecisão. à medida em que mudo meus modos, mudam as pessoas ao redor de mim. A chuva passou e um arco-íris se mostra, tímido, entre as nuvens. Reconheço sorrisos e acenos… Hora de acender as luzinhas e recomeçar.

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