domingo, 18 de fevereiro de 2018

Gentileza

☾☼ x o n e a x o ☼☽

Às vezes é difícil lidar com as minhas próprias cobranças. Às vezes é difícil lidar com o autojulgamento. Às vezes é difícil controlar meus tantos medos e monstros. Às vezes é doloroso sair da luz para enxergar minhas sombras. Às vezes é difícil não seguir padrões sociais e culturalmente impostos que estão tão enraizados que já fazem parte de nós. É difícil repensar, reavaliar, desconstruir para, então, reconstruir.

Tem sido um caminho turbulento e sinuoso, com muitos altos e baixos. Por vezes lento. Tem sido uma estrada árdua, permeada por incertezas e inseguranças. Mas é um caminho necessário. Um caminho de autoconhecimento, autoconsciência, autoavaliação. Um caminho de reflexão em seu sentido mais literal: olhar para o espelho e enxergar nele o reflexo daquela que sou. Nua, despida, exposta, vulnerável, frágil. Sem máscaras e amarras. 

Essa sabedoria e essa consciência de si por vezes pesam. Às vezes estou tão consciente dos meus temores e falhas que simplesmente penso que não posso ultrapassá-los. Às vezes estou tão fortemente ligada a um discurso que vem de fora que esqueço de prestar atenção àquilo que vem de dentro. Às vezes estou tão cega por tantas luzes que penso que não posso ser escuridão. Mas posso. Todos temos nossos dias ruins, e não há mal nenhum em admitir isso.

É costumeiro que apenas compartilhemos aquilo que apraz; aquilo que é belo e esperado. Ninguém deseja ver a dor ou os pesos que temos de carregar diariamente. E é justamente por isso que sofremos tanto tentando buscar uma perfeição que é inatingível. Tentando viver uma vida que não é nossa. Tentando superar metas e objetivos que não nos dizem respeito. 

Não é difícil se querer bem; mas é um exercício diário de construção de amor e respeito próprio. É um exercício diário de se desligar das amarras que te fazem crer que você não é bom o suficiente. E são nesses momentos, em que me sinto a mais medíocre das criaturas, que consigo vislumbrar o quanto tenho crescido e o tamanho da gratidão que sinto.

É tudo aprendizado. Um dia após o outro. Conquistas e derrotas. Lições que nos são dadas ainda que não percebamos. Há sempre a oportunidade de observar a beleza que nos rodeia. Existe sempre um pequeno detalhe que pode trazer grande contentamento e anseia por ser notado. Há sempre a possibilidade de ser gentil consigo mesmo, com suas sombras e dores. Pois este é quem você é. Todos somos. Todos temos pensamentos ruins, dias cinzas, histórias sobre nós que nunca gostaríamos que ninguém soubesse. E está tudo bem. Tá tudo bem sentir medo, tudo bem sentir-se sozinho; mas não devemos nunca nos esquecer do quão grande somos e da força que temos. Ninguém além de nós é capaz de compreender a plenitude que é morar em nossa própria casa.

Ninguém lutou suas batalhas mais do que você. Ninguém, além de si mesmo, tem propriedade para ser o herói da sua história.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Sobre a dádiva de agradecer

Cada experiência ruim e desafiadora que vivemos é uma oportunidade para exercitar a gratidão. Cada obstáculo que vencemos, cada pedra no meio do caminho, cada tristeza, cada mágoa, cada dor; é tudo aprendizado. Vivemos buscando, perseguindo, correndo atrás de um objetivo, de um ideal, que às vezes nem sabemos ao certo o que é. Sonhamos com uma vida perfeita, com a hora certa, com um momento especial que talvez nunca chegue. Tudo que temos é o hoje, o aqui e o agora; então por que não vivê-los? 

Existem momentos em nossas vidas em que nós nos sentimos extremamente gratos por tudo que alcançamos. Mas, inexplicavelmente, aquela sensação de vazio, de nunca alcançar o que se espera, insiste em perdurar. Talvez todas as dúvidas venham para nos mostrar o quanto algumas coisas são certas. Ou talvez, mesmo incertas, por que buscar tanta certeza? Na verdade, a única certeza que eu tenho ao chegar ao final do dia é o quanto me sinto grata. Grata pelas minhas conquistas, pelo meu autoconhecimento, pelas pessoas que me rodeiam, pela paz que me cerca. Grata por viver, por ter forças para continuar lutando, existindo. Grata por não desistir.

Ouvi dizer por aí que a gratidão faz bem à saúde. Quanto à isso, ainda não estou tão certa. Mas o que eu sei é que eu não quero deixar de me sentir assim. Eu não quero perder a minha visão otimista em relação à vida. Não quero perder a alegria que é meu combustível diário. Não quero deixar de reconhecer as pequenas belezas. Não quero perder a minha motivação, não quero ser movida pela tristeza. Quero ser movida pelo amor, pela vontade de mudar, de crescer, de conhecer coisas novas, de ajudar aos outros. Quero que a natureza e a gratidão sejam meus combustíveis para continuar lutando, mesmo nos dias mais difíceis. Mesmo nos cenários mais escuros. Mesmo quando não houver luz. Quero seguir sendo grata pela oportunidade de poder continuar tentando. 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Open-road

Quando entrei na estrada aberta, o sentimento de gratidão tomou conta de mim. O sol tocando a minha pele, o vento no meu rosto, a paz. Por um momento, esqueci-me de todo e qualquer problema que me atormentava. Senti vontade de agradecer por todo o bem que me aconteceu ao longo desse ano. Os obstáculos que enfrentei, os desafios que venci, as vezes em que fui posta à minha própria prova. Encarei de frente meus medos, anseios e rancores. Pus-me a falar sobre o que me afligia. Me vi ali, confrontando meu eu, de frente pro espelho. Me peguei rasgando certezas, desconstruindo e reconstruindo saberes. Me refazendo. Reavaliar tem sido a palavra da vez.

Mas sei que ainda existem falhas; o caminho é longo. Sei que ainda tenho muito a aprender. Sei que o muro que me prende ainda está ruindo. Sei que a autoconsciência que me guia e me mantém de pé é a mesma que me sufoca e me cega. Sei que preciso me doar mais. Preciso me deixar ser acessada. Preciso deixar curar as feridas do passado que ainda permanecem abertas e ninguém entende. Preciso aceitar, com coragem e perseverança, a nova vida que me espera. Preciso me permitir crescer. E sei que nesse processo terei de enfrentar dores, angústias, partidas, despedidas, recomeços, a solidão. 

Mas a estrada tem se mostrado acolhedora, ainda que eu demore a ver. A estrada é minha amiga. Sei que preciso ter fé em mim. Sei que não estou sozinha. Não me rendo. Persisto. Dias melhores virão

domingo, 19 de novembro de 2017

Perdão

Como é difícil tentar ser aquilo que querem que eu seja. Como é duro andar em círculos correndo atrás daquilo que eu nem sei o que é. A gente fala muito em autoaceitação, amor próprio, mas a verdade é que é um exercício árduo e diário tentar ser melhor. O que é melhor? Isso concerne a mim ou aos outros? Quem demanda? Já nem sei.

Há algum tempo venho tentando mudar. Há algum tempo venho tentando me reconhecer; me reencontrar em mim. A casa é a mesma, sempre foi. Mas os móveis, ah, esses sempre se rearranjam. Por vezes, ficam revirados de cabeça para baixo; noutras, são pura disciplina e organização. Na verdade, o que busco é o equilíbrio há muito perdido. Na verdade o que quero é poder olhar-me no espelho e enfim me reconhecer, depois de tanto lutar. Existe uma briga aqui dentro de mim, e ela é feroz. Existe aquele monstro, que por vezes se mostra calmo, contudo em outros momentos parece me rasgar ao meio para fugir. Esse eu, tão cheio de facetas e nuances. Esse eu tão misturado e cheio de cores. Tonalidades de dor, alegria, esperança, cura. Aceitação. Amizade, frieza, liberdade, feminino, movimento. São tantas palavras e coisas que borbulham dentro de mim. São tantos eus fragmentados tentando ser um só

Sigo na busca. Sigo meu caminho sabendo que sempre há tempo para pausar, reavaliar e recomeçar. Sigo tentando enfrentar meus demônios, que não são poucos. Sigo trabalhando no enfrentamento das adversidades. A verdade é que nada nunca é 100% bom. Mas cabe a nós a adaptação. Cabe a nós a paciência. Cabe a nós, acima de tudo, o autocuidado. E cuidar de si mesmo é saber que às vezes as coisas podem se tornar mais difíceis. Às vezes a gente precisa se confrontar, mesmo que doa. Se permitir sair daquela zona de conforto que, mesmo desconfortável, parece nos servir tão bem. A gente precisa aceitar que cabe a nós arcar com as expectativas que criamos em relação ao mundo. Nós devemos ser nossa prioridade, e nada mais. Porque não existe nada tão confortável e lindo do que estar em paz consigo próprio. É um processo árduo, gradativo, lento. É um ciclo de desconstruções e reconstruções. Mas vale à pena. É gratificante crescer e aprender consigo mesmo. O autoperdão genuíno é combustível para seguirmos adiante tentando ser melhores, acima de tudo, para nós.

Poder

em mel e girassóis te peço..Me amar não pelo que fui, nem pelo que serei;
Mas pelo que sou.

Me aceitar não pelo passado, nem pelo futuro;
Mas pelo presente.

Escolher não por ontem, nem por amanhã;
Mas por hoje.

Lutar não por quem passou, nem por quem virá;
Mas por quem está.

Fazer não porque devo.
Mas porque quero, posso e escolho.


Junho/17.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Vagalumes

Os aniversários vão chegando e a gente vai pensando em quem a gente é, em quem a gente gostaria de ser. Em quem a gente se tornou. A gente vai pensando em tudo aquilo que conquistou e perdeu ao longo dos anos. A gente vai pensando no quanto nunca pensou o quão difícil e longa seria essa caminhada. E a gente só queria ser criança de novo. A gente só queria um colo, um afago, um mimo. A gente só queria voltar a chorar pelos joelhos ralados. A gente só queria a pureza e a inocência. A leveza de não ter tanto medo das incertezas. A facilidade de não ter que pensar tanto e sentir tanto. Se sentir tão sozinho... A gente tem medo. Medo de se perder no caminho. Medo de seguir sozinho. Medo do quão assustador e angustiante é ver os dias passarem e todos mudarem, tudo mudar. Medo de não estar preparado. Medo de não ser bom o suficiente. Medo de ser, medo de estar, medo de viver. 

E no meio de tanto medo, algumas luzes se acendem. Ainda que fracas, brilham. E insistem em deixar um feixe de luz que seja por onde passam. Insistem em deixar sua cor, sua onda, sua marca. E deixam. São pequenos vagalumes que piscam, como estrelas no céu. Mas esses vagalumes, ainda que tão ínfimos diante da grandeza do universo, existem. Resistem. E, juntos, são uma grande luz. As estrelas, ainda que distantes, são grandes. Têm vida. E mesmo diante de tantos anos e explosões, continuam a brilhar, até a hora de se apagarem. Tudo na vida pode nos ensinar uma lição... É só prestarmos um pouquinho mais de atenção em tudo aquilo que não somos nós. Porque às vezes estamos tão absortos em nossos próprios problemas e medos que esquecemos de olhar pro outro. Às vezes é difícil se colocar no lugar do outro... Sair do nosso espaço, da nossa zona de conforto. Estamos sempre tão cheios de certezas sobre tanta coisa pré-concebida que às vezes deixamos de nos deixar conhecer. Re-conhecer. Nos afetar. Experimentar. De nos deixarmos amar e sermos amados. Há sempre o medo. Sempre a insegurança. Sempre a obrigação. Sempre os tantos 'deverias'. Sempre os erros do passado que machucam. Sempre as expectativas de um futuro incerto e superestimado. E o agora? Quem faz? Quem permite? Quem vive?

É uma tarefa difícil e diária exercitar a empatia. Mas é possível. Somos nossos donos. E somos livres. Nós fazemos as nossas escolhas e somos as nossas escolhas. Nós traçamos nosso próprio caminho. Há sempre uma nova estrada, uma nova perspectiva, uma luz, por mais sombrio que o caminho seja. Há sempre alguém pra nos ajudar a seguir firme nessa caminhada. Sempre há. E se não houver, nós mesmos seremos nossos guias. A vida inteira somos ensinados a buscar a felicidade, a realização plena, em algo ou alguém além de nós. Contudo, ao longo do caminho vamos percebendo que a resposta que precisamos não está em lugar nenhum se não em nós mesmos. Cada experiência, cada contato, é uma troca que fazemos com o outro, um encontro, que pode ser bom ou ruim, mas que com certeza deixa marcas. Então cabe, a cada um de nós, utilizar tais momentos como combustível para a mudança que virá, a revolução em que seremos nossos próprios líderes.

domingo, 4 de junho de 2017

Tu

A gentleman's thoughts:
Eu não sei quem eu sou longe de você. Eu me sinto tão sozinha e pequena... Eu posso até existir, mas é como se as coisas não fizessem tanto sentido. A cama parece grande demais sem o teu aconchego. As horas parecem longas demais quando estou sem você. Os sons deixam de ser melodias e viram ruídos. Os espaços parecem mais vazios. Eu vivo num estado catatônico, mecânico. Eu sinto a falta do perfume, do abraço, do carinho. Sinto a falta do colo e dos beijos. Sinto falta da nossa rotina e da forma como a gente se esforça pra ser melhor um pro outro. Sinto falta até das dificuldades, porque elas nos ensinam tanto. Eu sinto falta das nossas diferenças e de como aprendemos a lidar com elas. Sinto falta de como a gente se diverte com tão pouco... E me arrependo de cada segundo que eu deixei de te olhar, de reparar com mais cuidado no teu sorriso, nos teus olhos ou nos teus cachinhos dourados. E eu imagino tanta coisa que eu poderia ter dito ou feito... Mas a verdade é que a gente se basta. Nenhuma palavra ou texto, nada que eu diga é suficientemente​ bom pra descrever quem somos, o que somos. Na verdade, com você, tudo fica mais fácil. Toda a rotina estressante e maçante se torna mais simples. É chegar em casa e ver o teu sorriso e tudo ficar bem. É literalmente manhã de domingo à toa. É o riso no fim de uma tarde fria. É o prazer em desfrutar dos momentos mais simples. É o acalanto na dor. É você. Sempre será. Obrigada por ser quem é e ser tudo que é. Serei sempre sua casa. Volta sempre pro teu lar.

domingo, 28 de maio de 2017

Encontros

Achei que eu me sentiria melhor quando acontecesse. Mas a verdade é a apatia como companheira. O vazio, a indiferença, o não-sentir. É ruim esse lugar de você não saber se assume a culpa ou se joga a bola pro outro. É ruim perceber que mesmo depois de tanto tempo tentando me reencontrar, eu me encontro, mais uma vez, perdida em mim mesma. Perdida em caminhos que eu não quero percorrer. Trancada entre o meu muro, as quatro paredes de mim. Porque eu sei que dói demais, então eu prefiro essa zona de conforto, ainda que desconfortável. Uma hora passa. Assim eles disseram. Qualquer hora dessas vai parar de incomodar. A gente passa a se resignar diante de todas as adversidades que já vão se tornando velhas amigas com o passar do tempo. E olha, sobre essas tais amizades, eu já nem sei o que dizer. A verdade é que depois de tanto tempo, eu já estive em vários lugares. Em todos esses lugares, tive bons e maus encontros. E eu percebi que mesmo aqueles encontros que eu gostaria de levar comigo, acabaram ficando pelo meio do caminho. Portanto, por que me importar com aqueles que eu nem quero acompanhar? Esses encontros mexem sim com a gente. Nos tocam, nos bagunçam, nos modificam. Por vezes são vendavais que deixam destruições irreparáveis. Outras, apenas uma brisa gostosa de sentir. Alguns encontros têm efeitos mais duradouros que outros; as consequências podem se arrastar por muito tempo ou simplesmente se apagar como uma palavra deixada na areia quando a onda bate. 

Não me aflijo mais. Afinal, bem se dizia... É amor até deixar de ser.

domingo, 9 de abril de 2017

Estações

Jah Bless Me:
Mais um outono nasce e, com sua chegada, vão-se as folhas, a fim de em breve dar espaço para um novo florescer. Um novo outono significa despir-se das folhas já velhas, amareladas e gastas pelo tempo. Depois de um verão de agitação e alegrias, o outono vem trazer pausa e calmaria. O outono é sobre saber dizer adeus àquilo que já não nos serve mais. É sobre desapegar-se daquilo que já não vale mais à pena e assistir às folhas secas serem levadas pelo vento. É clima ameno, agradável, caloroso, mas não sufocante. É meio termo entre o fogo e o gelo. É tempo de reflexão e renovação.

O outono, contudo, é muito mais do que apenas folhas que caem na rua de casa ou no nosso quintal. É fruto de um movimento muito maior do que nós, que nos foge ao controle, que nos muda a órbita, que nos altera a posição.

Diante desse novo outono, quero despir-me dos medos e incertezas que a euforia do verão trouxe consigo; quero me preparar para os novos desafios e batalhas que o inverno trará. Quero permitir que as folhas velhas sequem e caiam, uma por uma. Quero poder, no fim do outuno, contemplar a beleza das folhas secas do chão, sem arrependimentos. Quero poder, enfim, varrer as folhas secas que se amontoam, que já não têm mais um tom bonito de alaranjado ou dourado, mas sim uma espécie de cinza morto.

Quero ansiar pelo acalento e conforto do inverno, e me preparar para as alegrias da primavera. Quero aprender que é preciso, em qualquer das estações, estar pronta para estar em paz comigo mesma e deixar ir. Quero pode seguir por qualquer que seja o caminho, seja ele sinuoso, abafado, nublado, pedregoso, cheio de obstáculos, tempestuoso, escorregadio ou florido.

Quero sentir que, enfim, o outono trouxe consigo o amadurecimento de que tanto preciso. Amadurecimento este que significa dar um passo de cada vez, e passar pelas adversidades sem me permitir endurecer. Quero legitimar o que há muito já sei, sobre a vida ser um ciclo, uma montanha russa, um campo minado, uma eterna descoberta de possibilidades e um leque infinito de escolhas. Que o outono, então, traga-me calma, paciência e sabedoria para iluminar os meus caminhos, e que eu possa finalmente entender e poder contemplar a beleza da metamorfose das estações.  

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Cinco-caminhos

A vida é cheia de surpresas. Realmente, vivemos uma realidade cercada de vários universos paralelos. Frente aos nossos olhos, estão dispostos vários caminhos a seguir, várias escolhas a se fazer. E a gente nunca sabe onde o fim da estrada vai dar. Resta arriscar. Resta mergulhar de cabeça, corpo, alma e coração em cada pequeno riacho que encontrarmos. Afinal, a gente nunca sabe em qual final de trilha vamos encontrar a mais esplêndida queda d’água.

Devemos encarar tudo da forma mais sincera e intensa possível. Devemos amar como se não houvesse amanhã. Devemos nos entregar de braços abertos sem medo. De fato, muitas vezes as coisas não acontecem como o planejado. Caminhos que gostaríamos que estivessem cruzados para sempre às vezes se desviam. Mas aconteceu quando era pra acontecer. E foi suficiente para deixar uma marca inapagável.

Por vezes dói, dilacera, e a gente pensa que a ferida nunca vai curar. Mas sara, uma hora sara. E a gente pode finalmente olhar pra trás e rir de tudo que passou. E a gente pode, finalmente, se orgulhar da história que viveu. Enxergar as falhas e aprender com elas. Saber o que valorizar e o que perdoar. Saber também quando pedir perdão.

É engraçado porque depois de tanto tempo, depois de tantos acertos e erros, a gente acha que finalmente construiu uma fortaleza inabalável. A verdade é que, por trás de tantas paredes e barreiras, a gente sempre é aquela criança frágil querendo colo. A vida adulta chegou, e a vida adulta assusta. As responsabilidades se multiplicam de uma forma que a gente nunca aprendeu nos cálculos da escola. Os medos e anseios oscilam mais do que uma montanha russa. Todos os dias, enfrentamos vários altos e baixos. Todo dia é uma nova batalha e um novo desafio a se vencer. Por vezes ganhamos; em outras, perdemos. Mas seguimos. Mesmo quebrados por dentro.

Seguimos. Mesmo cheios de incertezas e inseguranças. Mesmo vestindo máscaras diariamente, sem ao menos saber. E às vezes a gente precisa de ajuda pra enxergar o que está diante dos nossos olhos e a gente se recusa a ver.

Por vezes somos postos à prova. Após um momento de vertigem, finalmente vemos com clareza os caminhos a seguir. Qual deles escolher? Com qual mais me identifico? Um caminho é doloroso. Têm sorrisos e alegria, mas tem indiferença e olhos fechados. Têm feridas que não querem ser tocadas. Tem mágoa. Tem superficialidade. O outro é o que mais me apetece... Mas parece tão difícil chegar até lá. Tão difícil cruzar essa estrada sem me ferir tanto. O terceiro é onde me escondo. Onde determino objetivos que tenho que atingir. Mas será mesmo isso que eu quero? O quarto significa futuro, significa paz. E o quinto, bem, o quinto é onde estou. Resta saber quantas feridas precisarão ser fechadas e reabertas até de fato encontrar o meu caminho.

Toda estrada tem um preço; toda escolha tem um valor a ser pago. E cabe a nós arcarmos com as consequências dos nossos atos. No fim do dia, só queremos estar em paz com nós mesmos e com a consciência tranquila. Diante de tudo, só quero ter forças para trilhar o meu caminho. Para fazer escolhas sábias. Para aprender com meus erros. Pra não me deixar abalar. Pra ser resiliente. Pra lutar por aquilo que acredito e não me deixar importar com o que os outros vão dizer.

Quero encontrar novamente o caminho do meu eu.

Quero, mais do que nunca, ser aquela que almejei.